O Presidente da República aproveitou as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que decorrem este ano na ilha Terceira, nos Açores, para defender um país mais unido, mais ambicioso e capaz de criar condições para fixar os jovens qualificados.

No seu primeiro discurso de 10 de Junho enquanto chefe de Estado, António José Seguro centrou a intervenção na identidade atlântica de Portugal, na valorização das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo e nos desafios que o país enfrenta nas áreas da habitação, dos salários, da inovação e da retenção de talento.

Perante as altas entidades do Estado, representantes das Forças Armadas e convidados, Seguro destacou o papel estratégico dos Açores na afirmação da soberania nacional e na ligação entre a Europa e o Atlântico, defendendo simultaneamente o reforço da cooperação com os aliados internacionais e a autonomia estratégica europeia.

O Presidente assinalou também os 50 anos da autonomia político-administrativa dos Açores e da Madeira, considerando que a descentralização fortaleceu a democracia portuguesa e contribuiu para o desenvolvimento dos arquipélagos.

Ao abordar a situação do país, António José Seguro alertou para a necessidade de criar melhores oportunidades para os jovens, afirmando que Portugal dispõe de talento, conhecimento e capacidade de inovação, mas continua a perder recursos humanos qualificados para o estrangeiro.

“O problema não é o talento. Nunca foi o talento”, afirmou, defendendo políticas que promovam melhores salários, acesso à habitação e condições para que os jovens possam construir o seu futuro em Portugal.

Num discurso marcado por referências à literatura portuguesa, o chefe de Estado apelou ainda ao diálogo e à moderação num contexto internacional e político cada vez mais polarizado. Segundo Seguro, “unir o país não significa uma unanimidade artificial”, mas sim reconhecer que existe espaço para diferentes ideias e sensibilidades dentro de uma mesma comunidade nacional.

As comunidades portuguesas mereceram igualmente destaque na intervenção presidencial. O Presidente sublinhou o papel da diáspora na projeção de Portugal além-fronteiras e deixou uma mensagem dirigida aos emigrantes e lusodescendentes: “Portugal pensa em vós. Portugal precisa de vós.”

A encerrar o discurso, António José Seguro apelou à confiança no futuro e à capacidade de o país transformar desafios em oportunidades, defendendo uma visão assente na inovação, na cooperação e na valorização dos portugueses.

Jornalista: Vitória Botelho
Foto: DR

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