O cidadão francês Cédric Prizzon, detido na terça-feira na Mêda, no distrito da Guarda, é o principal suspeito do homicídio da ex-companheira e da atual parceira, cujos corpos foram encontrados enterrados na Serra da Nogueira, em Bragança, ontem, quarta-feira, confirmando o desfecho trágico de um caso que mobiliza autoridades portuguesas e francesas.
Segundo a Polícia Judiciária, a localização dos cadáveres ocorreu na sequência de diligências realizadas após a detenção do suspeito, de 42 anos, militar da Gendarmerie Nationale (equivalente à GNR em Portugal). Os corpos encontravam-se enterrados numa zona isolada, tendo sido recolhidos “robustos elementos de prova” que sustentam a investigação em curso.
A detenção ocorreu de forma fortuita durante uma operação de fiscalização da Guarda Nacional Republicana na Estrada Nacional 102. O homem foi intercetado quando circulava com dois menores, um rapaz de 13 anos e uma criança com menos de dois, após apresentar documentos falsos. Na sua posse foram ainda encontrados uma arma ilegal e cerca de 17 mil euros em numerário.
De acordo com informações avançadas pela imprensa francesa, nomeadamente pelos jornais Le Parisien e Midi Libre, o suspeito terá percorrido cerca de mil quilómetros desde França, após alegadamente raptar a ex-companheira, a atual parceira e os dois filhos. As vítimas, Audrey Cavalié, de 40 anos, e Angela Legobien-Cadillac, de 26, estavam desaparecidas desde sexta-feira na região de Aveyron.
O filho mais velho terá sido determinante para o avanço das investigações, ao indicar às autoridades que o pai teria assassinado as duas mulheres e enterrado os corpos em território português.
As mesmas fontes referem ainda que o suspeito mantinha um comportamento de crescente hostilidade, tendo publicado dezenas de vídeos de teor violento nas redes sociais, motivados por um conflito relacionado com a guarda do filho. Estaria também associado a grupos online frequentados por pais em disputa judicial pela custódia de menores.
As autoridades procuram agora apurar se os crimes foram cometidos em França ou já em Portugal, sendo certo que as vítimas deixaram de ser vistas no território francês antes da deslocação do suspeito. O caso está a ser investigado em articulação entre a Polícia Judiciária e as autoridades francesas, com o inquérito a cargo do Ministério Público.
Os dois menores foram encontrados em segurança e encontram-se sob proteção, enquanto decorrem diligências para a identificação formal das vítimas e o completo esclarecimento das circunstâncias do alegado duplo homicídio.
O suspeito deverá ser presente a primeiro interrogatório judicial nas próximas horas. Entretanto, investigadores franceses admitem deslocar-se a Portugal para acompanhar o processo, que assume contornos de cooperação internacional num caso de elevada gravidade.
A Redação,
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