Presidente da CIM considera que a medida assegura a continuidade do acesso à imprensa em papel nos territórios de baixa densidade.

O presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) das Terras de Trás-os-Montes, Pedro Lima, manifestou satisfação com a decisão do Governo de avançar com um concurso público internacional destinado a assegurar a distribuição diária de jornais em papel nos territórios de baixa densidade, considerando que a medida garante a continuidade de um serviço essencial para as populações do interior.
O responsável afirmou que sempre recebeu da tutela a garantia de que a distribuição de imprensa não seria interrompida na região, encarando agora o lançamento do concurso como a confirmação desse compromisso.
“A indicação que recebi sempre da tutela era que isso não iria acontecer e continuo a acreditar que não vai acontecer”, afirmou Pedro Lima, acrescentando que a iniciativa demonstra a sensibilidade do Governo para as especificidades dos territórios do interior.
A preocupação com o futuro da distribuição de jornais surgiu no final de 2024, quando a administração da Vasp anunciou estar a avaliar alterações no serviço em vários distritos do país, entre os quais Bragança, Vila Real, Guarda, Viseu, Castelo Branco, Portalegre, Évora e Beja. A empresa justificou a possibilidade de redução da operação com a quebra continuada das vendas de imprensa e o aumento dos custos operacionais.
Nas Terras de Trás-os-Montes, onde o envelhecimento da população continua a marcar a realidade demográfica, o consumo de jornais em papel mantém uma relevância superior à verificada noutras regiões do país, destacou o presidente da CIM.
“Os hábitos de leitura na nossa sub-região são diferentes daqueles que já se generalizaram a nível nacional. Aqui continua a existir uma forte ligação ao jornal físico, muito associada ao envelhecimento da população e à menor dependência dos conteúdos digitais”, sublinhou.
Segundo fonte governamental, o concurso público internacional, que será lançado esta terça-feira, prevê um investimento de três milhões de euros para garantir a distribuição diária de jornais em papel durante os próximos três anos nos territórios de baixa densidade.
O processo já vinha sendo anunciado pelo Executivo desde 2024, na sequência das preocupações levantadas pela Vasp e pelos autarcas de vários concelhos do interior. Entre os municípios abrangidos encontrava-se Vimioso, integrado na Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes.
De acordo com o Governo, a preparação do concurso revelou-se particularmente complexa devido à existência de um único operador no mercado da distribuição de imprensa e a dificuldades relacionadas com a informação disponibilizada por essa entidade, situação que acabou por ser posteriormente reconhecida pelo próprio operador.
Para Pedro Lima, a abertura do concurso representa um sinal positivo para os territórios do interior e uma garantia de que milhares de cidadãos continuarão a ter acesso regular à informação através dos jornais impressos, preservando um hábito de leitura que continua a ter forte expressão em muitas comunidades transmontanas.

Jornalistas: Paulo Silva Reis com Lusa
Fotos: DR

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