Os viticultores de Mesão Frio, no coração da Região Demarcada do Douro, enfrentam um dos anos mais difíceis das últimas décadas, marcados por um aumento expressivo dos custos de produção, escassez de produtos fitofarmacêuticos e condições meteorológicas adversas que obrigam a uma vigilância permanente das vinhas.

O impacto da guerra no Médio Oriente já se faz sentir nas encostas durienses, sobretudo através da subida do preço dos combustíveis e dos produtos utilizados nos tratamentos agrícolas. A instabilidade climatérica, com alternância entre chuva, calor e humidade, tem ainda favorecido o aparecimento de doenças como o míldio e o oídio, obrigando os produtores a reforçar os tratamentos nas vinhas.
“Se formos a fazer contas desistimos já hoje de trabalhar”, desabafou Pedro Monteiro, viticultor em Barqueiros, no concelho de Mesão Frio, sublinhando que a prioridade continua a ser garantir uvas saudáveis até à vindima, prevista para setembro.
Só nesta primavera, o produtor realizou já cinco tratamentos fitossanitários e admite que poderá chegar aos oito até ao final da época. Cada aplicação representa um custo médio de cerca de 500 euros, sem contabilizar combustível e mão de obra. “Há oito anos o gasóleo verde custava 80 cêntimos por litro, agora ultrapassa os 1,60 euros”, referiu, apontando para o trator que consome cerca de 60 litros por dia.
Os custos aumentam em praticamente todas as áreas da atividade agrícola, denunciam os produtores, enquanto o preço pago pelas uvas permanece praticamente inalterado há anos. Atualmente, a pipa de vinho do Porto ronda os mil euros e a do vinho Douro cerca de 300 euros, valores considerados insuficientes para acompanhar o aumento das despesas.
“Os pneus estão mais caros, as revisões dos tratores nem se fala. Uma revisão custa cerca de 700 euros. Hoje em dia o vinho não valoriza o que nós gastamos”, lamentou Pedro Monteiro, admitindo mesmo abandonar terrenos mais inclinados onde o trabalho continua a ser feito manualmente.
Também os cortes no benefício, a quantidade de mosto autorizada para produção de vinho do Porto, estão a gerar preocupação entre os viticultores, por representarem uma das principais fontes de rendimento da região.
Pedro Pires, viticultor e presidente da Cooperativa de Mesão Frio, descreve um cenário particularmente difícil para o Douro, uma região marcada pelas encostas íngremes, elevados custos de produção e crescente escassez de mão de obra.
“O vinho é a única parte da equação que não consegue aumentar. Aumenta a garrafa, o rótulo, a eletricidade, a mão de obra, mas o vinho continua sem valorização”, afirmou.
Segundo o responsável, os tratamentos fitossanitários tornaram-se inevitáveis devido à elevada humidade deste ano agrícola, agravando ainda mais os custos para os produtores. Além disso, alerta para a falta de produtos no mercado. “O grande problema dos fitofármacos é que não há”, frisou.
A crise atinge produtores de diferentes dimensões. Em Vila Marim, Vítor Fonseca divide o trabalho ferroviário com os cuidados de uma pequena vinha junto à sua habitação. O objetivo inicial era obter rendimento complementar, mas a realidade revelou-se bem diferente.
“A conclusão a que chego é que não tiro rendimento nenhum. Pelo contrário, ainda vou investindo parte do meu ordenado”, confessou.
A recente queda de granizo agravou ainda mais a situação, causando danos nas videiras e obrigando a novos tratamentos e despesas adicionais.
Na Quinta Barqueiros D’Ouro, José Carlos Mendonça tenta equilibrar a atividade vitivinícola com o turismo rural, setor que considera essencial para compensar as dificuldades da produção de vinho.
“Estamos com um aumento brutal dos custos de produção, enquanto o valor de venda do vinho desce. Felizmente, o turismo ajuda a sustentar a atividade vitivinícola”, explicou o empresário, que abriu há 15 anos um projeto de agroturismo com seis casas.
Entre custos crescentes, falta de mão de obra, cortes no benefício e preços estagnados, os produtores do Douro alertam para uma realidade cada vez mais difícil e para a necessidade urgente de medidas que garantam a sustentabilidade económica de uma das regiões vinícolas mais emblemáticas do país.

A Redação com Lusa
Foto: DR

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