Afinal a Taça não é só para festejar. Também dá para ganhar…
A recente eliminatória da Taça de Portugal mostrou-nos que algo está a mudar no futebol português. De uma só vez, foram seis as equipas da primeira liga eliminadas por adversários dos escalões secundários.
Santa Clara, Alverca, Académico de Viseu, Nacional, Moreirense e Famalicão não conseguiram fazer valer o estatuto de equipas de “primeira” e ficaram pelo caminho.
Esta é uma temática interessante que mostra que o futebol está a mudar também ao nível das condições de trabalho. Os clubes das divisões inferiores perceberam que o sucesso não é só feito com jogadores, ainda que estes continuem como peça-principal, mas também com uma melhor estrutura ao nível humano e ao nível físico.
Os clubes das divisões inferiores começaram a despertar para outro tipo de organização com a contratação um diretor desportivo para coordenar as várias áreas de ação. As equipas técnicas são mais numerosas, abrangendo vários aspetos fundamentais na preparação de uma equipa, os jogadores têm mais e melhores condições de trabalho, por via da aposta no ginásio, no fisiologista, no nutricionista, entre outras valências.
A juntar a tudo o que já referi, importa também destacar a entrada de capital através de investidores externos. É certo que este é um tema que pode dar “pano para mangas”, já que tem existido de tudo. Desde “falsos” investidores com muitas promessas, que não passam de uma mão cheia de nada, entenda-se sem dinheiro, a dirigentes de clubes que olham para os investidores apenas com o objetivo de lhes sacarem euros, muitos de preferência.
Mas nem tudo tem sido mau nesta relação dos clubes com as SAD e com os respetivos investidores. Há, em Portugal, projetos sólidos, alguns até na primeira liga, que mostram que este pode ser o caminho certo. Um percurso que terá de se submeter a algumas questões obrigatórias. Desde logo a necessidade de quem chega com o dinheiro não poder renunciar, ou apagar, a tradição e a história do clube, sob pena de criar um clima de desconfiança permanente. Imperiosa também é a gestão da ligação às gentes da cidade ou vila, dependendo de cada caso. Uma relação saudável com as entidades locais é um passo decisivo para o sucesso de um projeto deste tipo.
Que haja tempo para uma reflexão séria e que se escolha o verdadeiro caminho certo.
André Veras

















