A partir do momento em que somos concebidos, envelhecer está inerente ao quotidiano de cada um de nós. E desta caminhada vivencial ninguém escapa. Nem ricos, nem pobres!… Todos envelhecemos.
É certo que a qualidade de vida não é igual para todos e, consequentemente, para uns termina mais cedo que para outros, pelas mais variadas causas. E isso é imprevisível. Sempre foi e assim será.
Todavia, fruto da evolução do conhecimento técnico e científico e da melhoria de condições, vive-se mais tempo, denotando-se quadros demográficos de população envelhecida.
Claro que, este progresso, aliado à vontade que cada um de nós tem de viver e de se tratar em conformidade, poderá considerar-se um sucesso. E, de facto, é.
Porém, esta situação, contextualizada na sociedade atual, levou à alteração de hábitos e comportamentos pessoais e sociais, que provocaram uma mudança significativa na gestão dos derradeiros anos da existência biológica.
Fruto de condicionalismos diversos e de uma cultura sociológica que tem vindo a sofrer grandes modificações nas últimas décadas, surgiram os designados “Lares de Idosos”.

No que diz respeito a estas instituições, muito se tem falado e escrito, tanto no que concerne à gestão, como no que se refere ao tratamento dos respectivos clientes. Com inovações exigidas por critérios de qualidade e excelência, muitas são as instituições que se dinamizam e tentam disfarçar a dor inerente ao envelhecer. Tarefa difícil, já que a este “botox” de beleza de ficar velho e dizem “caquéctico” nada apraz quando a verdadeira felicidade se desperta no interior, e cresce junto da família, aquela que, muitas vezes, se desfaz com o tempo e as circunstâncias. É certo que muitos dizem “é velho, não presta” e alguns deles, que um dia seremos nós, são definitivamente casmurros e aprofundam a negligência dos filhos e familiares nomeadamente nesta época do ano.
Viver institucionalizado num lar que não é o nosso lar, torna-se ainda muito mais nostálgico e sofredor em épocas festivas, nomeadamente o Natal.

Mesmo reconhecendo que a institucionalização para alguns idosos pode ser uma boa alternativa de vida, positivamente aceite, entendo que, para uma boa parte, se torna muito dolorosa. Agonizante, até. Mas também não é menos verdade que, para muitas famílias, acaba por ser um mal menor e a solução possível.
Estranho e preocupante é constatar o esquecimento e o desleixo a que muitos familiares, sobretudo filhos, votam os seus pais/idosos, quando estes deixam de estar laboralmente ativos e economicamente produtivos. Agravando-se a situação quando ficam completamente dependentes.

Nesta quadra festiva será, com efeito, importante não esquecer os nossos deveres familiares e sociais, protegendo os idosos, os desafortunados e os infelizes das destrutivas distrações da sociedade atual, mesmo quando os mesmos, ao longo da vida, eventualmente, não programaram devidamente o seu futuro, designadamente ao nível dos afetos!…
Acreditando que uma sociedade se define pela forma como trata os “velhos” e os desamparados, desejo que o Novo Ano, seja enfrentado com espírito positivo, criativo e arrojado, de modo que o pessimismo seja ultrapassado!…

Artigo escrito por Nuno Pires

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