A empresa Minerália – Minas, Geotecnia e Construções, Lda iniciou um ciclo de sessões públicas de esclarecimento nas freguesias dos concelhos de Vila Real e Sabrosa, no âmbito do projeto mineiro Vila Verde, que pretende prosseguir trabalhos de prospeção de minerais estratégicos, com especial incidência no tungsténio, também conhecido por volfrâmio.
A iniciativa surge numa fase preliminar do processo e tem como objetivo avaliar a existência, quantidade e qualidade de jazigos minerais, bem como a viabilidade económica de uma futura exploração industrial. Para além do tungsténio, o estudo contempla ainda depósitos de estanho, prata e chumbo.
A área de prospeção abrange cerca de 13 quilómetros quadrados, distribuídos por dois blocos territoriais, incluindo zonas das freguesias de Justes e Lamares, no concelho de Vila Real, e São Lourenço de Ribapinhão, Souto Maior e Sabrosa, neste último município.
Uma das primeiras sessões decorreu na segunda-feira em Justes, onde a população manifestou preocupações relacionadas com possíveis impactos ambientais, efeitos sobre a agricultura, linhas de água, fauna, flora e ainda sobre a rede viária local.
AUTARCAS ATENTOS AO IMPACTO AMBIENTAL
O presidente da União de Freguesias de São Tomé do Castelo e Justes, José António Vaz, garantiu que acompanhará de perto a evolução do processo, apontando a vertente ambiental como principal prioridade. O autarca assegurou ainda que estará ao lado da população e atento à minimização dos impactos causados pela circulação de maquinaria pesada, ruído e eventuais danos em caminhos rurais.
A Câmara Municipal de Sabrosa indicou igualmente que seguirá com atenção o desenvolvimento dos trabalhos no terreno.
PROSPEÇÃO PODE DURAR DOIS ANOS
Segundo explicaram representantes da empresa durante a sessão em Justes, a fase de prospeção poderá prolongar-se por um período máximo de dois anos, sendo obrigatória a apresentação de relatórios à Direção-Geral de Energia e Geologia no prazo de um ano.
Nesta fase serão realizados furos de sondagem e outras ações técnicas, sendo que a entrada em terrenos privados dependerá sempre de autorização escrita dos respetivos proprietários.
PARECERES FAVORÁVEIS, MAS CONDICIONADOS
Diversas entidades públicas emitiram pareceres favoráveis condicionados ao avanço desta fase preliminar do projeto, entre elas a Agência Portuguesa do Ambiente e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.
A APA considerou que os trabalhos previstos, abertura de acessos, preparação de terreno, trincheiras e furos de sondagem, não deverão provocar impactos significativos nos recursos hídricos, desde que sejam respeitadas várias exigências ambientais. Entre elas está a preservação dos leitos e margens dos rios Rio Pinhão e Rio Pequeno, bem como a salvaguarda da qualidade das águas superficiais e subterrâneas.
Já o ICNF condicionou o parecer à adoção de medidas específicas de proteção da fauna, com especial incidência no Lobo Ibérico e no abrigo de morcegos de importância nacional existente na antiga Mina de Vale das Gatas.
HERANÇA MINEIRA E INTERESSE ESTRATÉGICO
A antiga Mina de Vale das Gatas foi um importante centro de exploração de volfrâmio e estanho entre 1937 e 1986, testemunhando a longa ligação da região à atividade mineira.
A Minerália – Minas, Geotecnia e Construções, Lda é também a empresa interessada no projeto mineiro da Borralha, no concelho de Montalegre, onde propõe uma exploração subterrânea.
O tungsténio, ou volfrâmio, é atualmente considerado uma matéria-prima estratégica à escala global, com aplicações relevantes nas indústrias tecnológica, energética e de defesa, sendo utilizado em munições e equipamentos militares.
ENTRE OPORTUNIDADE ECONÓMICA E CAUTELA AMBIENTAL
O projeto Vila Verde abre agora um novo capítulo no debate sobre mineração em território transmontano, dividindo expectativas entre o potencial económico associado aos recursos minerais e a necessidade de garantir rigor ambiental, transparência e proteção das comunidades locais. O futuro da exploração dependerá, em larga medida, dos resultados desta fase de prospeção e da capacidade de conciliar desenvolvimento com sustentabilidade.
A Redação com Lusa
Foto: DR

















