Todos os dias utilizamos as mãos para praticamente tudo: comer, trabalhar, cuidar dos outros, cumprimentar pessoas e tocar em superfícies diversas. No entanto, aquilo que muitas vezes não vemos são os microrganismos — como bactérias, vírus e fungos — que podem estar presentes nas nossas mãos e que são responsáveis por inúmeras doenças, infeções facilmente transmissíveis. O Dia Mundial da Higiene das Mãos, celebrado a 5 de maio, pretende lembrar algo simples, mas fundamental: lavar as mãos salva-vidas.
Mas porque é tão importante lavar as mãos?
Após a pandemia COVID-19, passou a fazer parte do quotidiano ouvirmos falar acerca das precauções básicas, que todos devemos cumprir, das quais a higiene das mãos é parte integrante e fundamental.
As mãos são uma das principais vias de transmissão de infeções. Ao tocar em superfícies contaminadas ou em pessoas doentes, podemos facilmente transportar microrganismos para o nosso organismo — por exemplo, ao tocar no rosto, nariz, boca ou olhos.
Uma boa higiene das mãos ajuda a prevenir:
- Infeções respiratórias (como gripes e constipações)
- Doenças gastrointestinais (como diarreias)
- Infeções associadas aos cuidados de saúde
- Propagação de vírus, como o vírus da COVID-19
Alguns momentos são especialmente importantes, designadamente:
- Antes de comer ou preparar alimentos
- Após usar a casa de banho
- Depois de tossir, espirrar ou assoar o nariz
- Após contacto com pessoas doentes
- Depois de tocar em lixo ou superfícies públicas
- Antes e depois de cuidar de alguém (especialmente doentes)
Estima-se que uma correta higiene das mãos possa reduzir significativamente a transmissão de doenças tanto na comunidade como nos serviços de saúde. Para profissionais de saúde, como enfermeiros e médicos, a higiene das mãos é um dos pilares da segurança do doente.
Em ambientes clínicos, o ritmo é intenso e os profissionais podem cuidar de vários doentes ao mesmo tempo, com múltiplas tarefas urgentes. Nestas condições, a higiene das mãos pode ser percecionada como mais um passo que “atrasará” o cuidado. No contexto dos cuidados de saúde, a sua importância é ainda maior, sendo uma responsabilidade ética, profissional e legal de todos os profissionais. A prática adequada da higiene das mãos não é opcional — é parte integrante dos cuidados de qualidade e da boa prática clínica. Neste sentido, reside a pertinência do título deste artigo: “- Já lavei as mãos, hoje?”, eu como profissional de saúde (enfermeira) devo prontamente responder: SIM!
Mas fora dos hospitais, este gesto é igualmente importante para proteger familiares, colegas e a comunidade. Cada pessoa tem um papel ativo na prevenção da doença e pequenas ações individuais resultam em grandes benefícios coletivos.
A higiene das mãos é um gesto simples, rápido e de baixo custo — mas com um impacto enorme na saúde pública. A resistência à higiene das mãos não é uma questão de falta de conhecimento, mas sim de condições reais de trabalho e comportamento humano.
Cada profissional tem o dever de agir com responsabilidade, garantindo que este gesto simples é cumprido em todos os momentos necessários. A higiene das mãos é mais do que um gesto técnico — é um compromisso com a vida, a segurança e a qualidade dos cuidados.
Mas a população em geral também desempenha um papel fundamental na prevenção de doenças e na proteção da saúde coletiva, perante um mundo cada vez mais interligado. Porque pequenas ações multiplicam-se quando adotadas por muitos.
Neste Dia Mundial da Higiene das Mãos, lembre-se: as mãos limpas salvam vidas — a sua e a dos outros. Adote este hábito diariamente e ajude a construir uma comunidade mais saudável e segura. A higiene das mãos é reconhecida como uma das medidas mais simples e eficazes na prevenção de infeções.
Artigo escrito por Sofia Bernardino, enfermeira na ULSTMAD, membro da Associação de Profissionais de Saúde do Alto Tâmega (APSAT)
















