A histórica Igreja de São Dinis, um dos mais antigos símbolos patrimoniais de Vila Real, vai avançar para um processo de restauro e reabilitação, na sequência de um protocolo de colaboração assinado entre a Câmara Municipal de Vila Real e a Fábrica da Igreja Paroquial da Sé/São Dinis, proprietária do edifício.

O acordo, formalizado esta semana, pretende não apenas recuperar um templo profundamente degradado, mas também devolver-lhe relevância cultural, turística e patrimonial, através da sua valorização e futura classificação como Monumento de Interesse Público.
Situada na emblemática zona histórica da Vila Velha, a Igreja de São Dinis remonta ao século XIV, sendo considerada a primeira igreja paroquial de Vila Real e um dos edifícios religiosos mais importantes da identidade histórica da cidade.
O presidente da Câmara Municipal de Vila Real, Alexandre Favaios, destacou o simbolismo do espaço, sublinhando o “enorme valor histórico, religioso e cultural” do monumento.
“Estamos perante uma igreja contemporânea da fundação de Vila Real, que ocupa um lugar muito especial na nossa identidade enquanto comunidade”, afirmou o autarca.
O projeto de restauro e reabilitação representa um investimento de cerca de 126 mil euros e prevê intervenções estruturais profundas, desde o soalho à cobertura, numa resposta ao avançado estado de degradação do edifício. Paralelamente, decorre o processo para a classificação da Igreja de São Dinis como Monumento de Interesse Público, medida considerada fundamental para reforçar a proteção patrimonial e facilitar o acesso a financiamentos nacionais e comunitários.
O bispo de Vila Real, António Azevedo, considerou que a assinatura do protocolo representa “o primeiro passo” para garantir a preservação do templo, defendendo uma solução que permita compatibilizar a dimensão religiosa do espaço com usos culturais e turísticos.
“Será uma solução que respeita as necessidades da Igreja, mas que também será muito útil para a cidade”, afirmou.
Também o padre João Curralejo destacou o caráter urgente da intervenção, recordando que as celebrações religiosas que ainda decorriam no templo, como o Dia dos Fiéis Defuntos e a festividade de São Brás, deixaram de poder realizar-se devido à falta de condições de segurança.
Segundo o sacerdote, o abandono progressivo da igreja acompanhou o despovoamento da zona histórica da cidade, tornando o restauro “urgentíssimo” para preservar um património de enorme valor histórico e espiritual.
A Igreja de São Dinis conheceu uma ampliação no século XVII e a conclusão da sua torre e forro data de 1778. O edifício encontra-se contíguo à Capela de São Brás, classificada como Monumento Nacional, reforçando a relevância patrimonial do conjunto arquitetónico.
Alexandre Favaios defendeu ainda que o projeto integra uma estratégia mais ampla de valorização da zona histórica de Vila Real, assumindo-se como uma oportunidade para revitalizar uma das áreas mais nobres da cidade.
Já João Curralejo alertou para a necessidade de aproveitar futuras oportunidades de financiamento europeu e nacional, admitindo que, devido ao elevado custo da requalificação, a obra poderá avançar de forma faseada.
“Queremos preservar este património, mas também queremos dar-lhe futuro”, concluiu o presidente da autarquia.

A Redação, com Lusa
Foto: DR

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