Tradição secular de Vila Real passa a ter reconhecimento nacional pela sua relevância histórica, religiosa e identitária.
O Andor da Senhora da Pena, uma das mais emblemáticas manifestações religiosas e culturais do concelho de Vila Real, foi oficialmente integrado no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, reforçando o reconhecimento da importância histórica, social e identitária desta tradição secular da freguesia de Mouçós.
A inscrição foi publicada esta terça-feira em Diário da República e destaca a relevância do andor na identidade das comunidades envolvidas, bem como o papel que desempenha na preservação de saberes e práticas transmitidos de geração em geração.
Considerado um dos maiores andores do país, o monumento efémero impressiona pelas suas dimensões e complexidade. Com mais de 23 metros de altura e um peso que pode atingir as três toneladas no dia da procissão, é transportado por mais de uma centena de pessoas durante a Festa de Nossa Senhora da Pena, a maior romaria da região transmontana.
A preparação do andor constitui, por si só, uma expressão singular do património cultural local. Todos os anos, a estrutura é reconstruída e ornamentada ao longo de cerca de dois meses, envolvendo um trabalho minucioso realizado por membros da comunidade.
Centenas de elementos decorativos, mais de mil metros de tecido e dezenas de quilos de alfinetes são utilizados para revestir a estrutura de madeira, criando uma composição visual única que se distingue pelas formas, cores e texturas. Apesar de manter a sua essência tradicional, o andor apresenta anualmente novas soluções decorativas, resultado da criatividade e dedicação dos seus construtores.
A tradição remonta ao século XVIII e mantém-se viva graças ao envolvimento das 11 aldeias que integram a freguesia de Mouçós. Todos os anos, uma dessas localidades assume a organização das festividades, assegurando a continuidade de um ritual profundamente enraizado na cultura popular da região.
O reconhecimento agora atribuído pelo Estado surge na sequência da candidatura apresentada pelo Município de Vila Real, em novembro de 2023, com o objetivo de valorizar, proteger e perpetuar este património singular.
Na apresentação da candidatura, o então presidente da Câmara Municipal de Vila Real, Rui Santos, destacou a importância de preservar uma tradição única no contexto nacional.
“É um orgulho valorizar o que é nosso e o que é nosso, em muitos casos, é único em Portugal e único no mundo. Esta candidatura obrigou-nos a aprofundar o conhecimento da sua história, mas permitirá também perpetuar no tempo este saber ancestral que valoriza claramente o nosso património cultural e humano”, afirmou na ocasião.
Com a integração no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, o Andor da Senhora da Pena ganha um novo estatuto de proteção e valorização, reforçando o reconhecimento de uma tradição que, há mais de dois séculos, mobiliza gerações de habitantes de Mouçós e continua a afirmar-se como um dos mais impressionantes símbolos do património religioso e popular de Trás-os-Montes.
Jornalistas: Paulo Silva Reis com Lusa
Fotos: DR

















