Os trabalhadores do Matadouro Industrial do Cachão, situado em Frechas, concelho de Mirandela, reuniram-se esta segunda-feira para analisar a situação crítica da empresa, após o anúncio do processo de insolvência. O encontro contou com a presença do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB), que alertou para as graves consequências económicas e sociais de um eventual encerramento da unidade.
Em causa estão 23 postos de trabalho diretos, bem como o impacto que o fecho poderá ter no setor pecuário regional. Segundo o sindicato, o matadouro do Cachão é atualmente uma infraestrutura essencial no distrito de Bragança, sobretudo pela capacidade de abate de vitelos, serviço que, garante, não poderá ser assegurado com a mesma dimensão ou custo por outras unidades da região.
Caso a atividade cesse, muitos produtores poderão ser obrigados a recorrer a matadouros em Penafiel, a mais de 100 quilómetros de distância, o que implicará aumento de custos de transporte e maiores encargos para criadores, comerciantes e consumidores.
O dirigente sindical Eduardo Andrade criticou a falta de ação por parte das entidades responsáveis, considerando que os sucessivos anúncios de revitalização do Complexo Agroindustrial do Cachão nunca passaram das intenções. Segundo afirmou, a dívida terá crescido ao longo dos anos para valores superiores a dois milhões de euros.
Apesar da insolvência em curso, a administração garante que o matadouro continua em pleno funcionamento e que, até ao momento, não houve despedimentos. Os municípios de Mirandela e Vila Flor, acionistas maioritários, preparam um plano de revitalização para tentar evitar o encerramento.
Para os trabalhadores e para o sindicato, a prioridade passa agora por salvaguardar os empregos e assegurar a continuidade de uma infraestrutura considerada estratégica para toda a região transmontana.
A Redação com Lusa
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