A maioria dos Santos, em Portugal, celebra-se na primavera ou no verão. Vivemos, por isso, mais um ciclo festivo. Algumas festividades já passaram, mas é nos meses quentes que se concentra a maior parte das romarias, no campo e na cidade.

Talvez fosse melhor distribuir as datas ao longo do ano, celebrando cada padroeiro no dia que a Igreja instituiu. Mas o clima favorável e as férias dos emigrantes explicam este calendário mais apertado.

As festas são dos momentos mais importantes da vida de uma comunidade. Potenciam o convívio, favorecem o encontro e expressam o sentir do povo. São também reflexo da sua identidade e da fé mais intensa.

Quase todas têm como centro o Santo ou Santa padroeira, mesmo que o santuário fique fora do núcleo urbano. Participar numa festa, sobretudo na aldeia, faz bem ao espírito. Dá sentido de pertença à terra onde se nasceu, se cresceu, ou onde há laços de afeto e religião. E é também um ato de Fé.

Vivemos, porém, numa sociedade cada vez mais materialista e consumista. Muitos preocupam-se mais com o ter do que com o ser. Parece que conta só a vontade do homem, esquecendo-se de perguntar qual é a vontade de Deus.

Vem isto a propósito da organização das festas. Nas comissões, impera muitas vezes a preocupação com o profano em vez do religioso. A prioridade devia ser inversa, respeitando o que pertence a cada qual.

A motivação religiosa é “apregoada” para pedir contributos. Mas há comissões que se esquecem de quem deve presidir: o pároco. Em todas as decisões com parte religiosa, a palavra do padre não pode ser omitida nem ultrapassada. Deve orientar-se por autenticidade e sensatez.

É preciso olhar também para os investimentos. Tantas vezes deixam de ser investimento e passam a despesa inútil, social e moralmente. E, depois, há a prestação de contas. A postura de algumas organizações deixa muito a desejar em termos de honestidade.

Sem tolerâncias que desculpam tudo, é tempo de mais rigor e disciplina. Isso implica responsabilidade material, moral e fiscal.

Termino com uma indicação: a Diocese de Bragança-Miranda publicou “Disposições Sobre Festas Religiosas”. Todas as Comissões de Festas deviam ter um exemplar e seguir as suas orientações, em busca de harmonia e clarividência.

Nuno Pires

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