A conhecida frase atribuída a Albert Einstein “a vida é como andar de bicicleta, para manter o equilíbrio é preciso continuar em movimento” é uma imagem simples, mas surpreendentemente profunda. Quem já andou de bicicleta conhece bem a experiência: enquanto avançamos, mesmo que de forma imperfeita ou hesitante, conseguimos manter o equilíbrio. Parados, porém, tudo se torna instável.

Esta pequena verdade da vida quotidiana pode tornar-se também uma chave de leitura para o nosso próprio caminho interior. Quando pedalamos, há momentos de entusiasmo e de leveza. A paisagem passa diante dos nossos olhos, o vento no rosto dá uma sensação de liberdade e parece que tudo flui naturalmente. Mas há também subidas difíceis, momentos em que o cansaço se instala e em que duvidamos de ter forças para chegar ao destino. Nessas alturas, cada metro exige energia. No entanto, quando finalmente atingimos o topo ou chegamos ao fim do percurso, a alegria compensa largamente o esforço.

O segredo da bicicleta é que a estabilidade vem quando se está em movimento. Manter o equilíbrio e sentir-se seguro funciona ainda melhor quando se anda depressa. É uma metáfora fascinante para a vida: aquilo que é impossível quando estamos parados torna-se realizável quando estamos em movimento. Todos queremos certezas, garantias, provas de que o caminho que seguimos é o correto. Contudo, muitas vezes descobrimos que essa segurança não aparece antes de começar a caminhar. Pelo contrário, é no próprio movimento que encontramos equilíbrio. Muitas coisas que parecem impossíveis quando estamos parados, tornam-se possíveis quando ousamos avançar.

Esta reflexão torna-se particularmente significativa quando pensamos na fé. É natural que surjam perguntas. Não preciso primeiro de provas de que Deus realmente existe e de saber mais sobre Ele ? Não seria mais sensato compreender tudo antes de dar qualquer passo ? No entanto, a fé raramente funciona como uma equação que possa ser demonstrada com absoluta clareza. A fé não é algo que possamos demonstrar como um teorema ou explicar como uma fórmula científica. Em certos momentos pode parecer vacilar, tal como o equilíbrio de quem aprende a andar de bicicleta. Há dias em que a confiança é clara e luminosa, e outros em que as perguntas parecem mais fortes do que as respostas. Tal como o equilíbrio numa bicicleta, a fé precisa de movimento. É apenas pondo-nos a caminho que descobrimos que ela nos sustenta. Não porque todas as dúvidas desapareçam de repente, mas porque, ao longo do caminho, percebemos que não caminhamos sozinhos. Pequenos sinais, encontros, experiências e momentos de silêncio vão construindo pouco a pouco uma confiança mais profunda.

Como fazer então para montar a bicicleta da fé ? Há muitas formas de começar. Podemos falar com pessoas que já estão a caminho e que partilham a sua experiência. O testemunho de alguém que percorre a mesma estrada pode dar coragem a quem hesita em dar o primeiro passo. Podemos também dirigir-nos diretamente a Deus, mesmo quando não temos a certeza de que Ele nos ouve. A oração, mesmo simples e hesitante, pode tornar-se um primeiro movimento do coração. E ninguém é obrigado a fazer este percurso sozinho. Tal como uma criança aprende a andar de bicicleta com alguém ao lado, segurando discretamente o selim, também na vida espiritual precisamos frequentemente de companhia, alguém que encoraje, que acompanhe, que escute e que nos ajude a manter o equilíbrio enquanto ganhamos confiança.

Neste tempo da Quaresma, muitos cristãos procuram precisamente redescobrir esse movimento interior. A Quaresma é um tempo de caminho, um período para refletir e reencontrar aquilo que dá direção à nossa vida. Não se trata apenas de renunciar a algo, mas de abrir espaço para o essencial. Às vezes basta um pequeno gesto para retomar o movimento, um momento de silêncio no meio da agitação diária, uma palavra de reconciliação, um gesto de atenção para com alguém que precisa. Pequenas pedaladas que, pouco a pouco, devolvem equilíbrio ao percurso.

Porque, no fundo, a imagem permanece verdadeira: a estabilidade nasce do movimento. Seja numa estrada percorrida de bicicleta, seja no longo caminho que é a nossa vida.

Boa viagem !

José Martinho

Deputado Municipal em Lausanne, Suíça

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