Responsável das Terras de Trás-os-Montes prestou depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito aos Negócios dos Incêndios Rurais e abordou meios de combate, área ardida e funcionamento do SIRESP.

O comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil das Terras de Trás-os-Montes, Noel Afonso, admitiu esta terça-feira, no Parlamento, a existência de interesses económicos associados ao setor dos incêndios rurais, mas garantiu não ter conhecimento de qualquer prática ilícita relacionada com esta atividade.
Ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito aos Negócios dos Incêndios Rurais, o responsável distinguiu a existência de relações comerciais legítimas da eventual prática de ilegalidades.
“Interesses económicos, comercialmente eles existem. Se tenho conhecimento de causa de atos ilícitos, não tenho”, afirmou.
Noel Afonso explicou que a relação entre corporações e fornecedores decorre de forma normal no âmbito da atividade operacional, salientando que os bombeiros adquirem equipamentos e materiais necessários ao combate aos incêndios junto das empresas do setor, sem que tenha conhecimento de qualquer irregularidade.
Durante a audição, o comandante apresentou também dados relativos à época de incêndios de 2025 nas Terras de Trás-os-Montes. Segundo revelou, arderam 20.938 hectares na sub-região, dos quais 5.069 hectares correspondem a áreas de povoamento florestal.
Questionado sobre a disponibilidade e mobilização de meios de combate, reconheceu que alguns incêndios registados nos concelhos de Mirandela e Vila Flor sofreram constrangimentos na fase inicial devido à pressão exercida pelos grandes fogos que, na mesma altura, afetavam várias zonas do centro do país.
“Existiu algum atraso na chegada de meios, sobretudo terrestres, porque muitos recursos estavam empenhados noutras ocorrências”, admitiu.
Apesar dessas dificuldades, Noel Afonso destacou que, na área da sua responsabilidade, não se registaram reacendimentos significativos, situação que atribuiu à utilização reforçada de máquinas de rasto em articulação com os municípios, permitindo consolidar o rescaldo e reduzir o risco de reativação dos incêndios.
Outro dos temas abordados na comissão parlamentar foi o funcionamento do Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), frequentemente alvo de críticas em grandes operações de proteção civil.
O comandante garantiu que, durante a época de incêndios de 2025, não foram registadas falhas relevantes na rede nas ocorrências sob a sua coordenação.
“O SIRESP, em termos operacionais, em 2025, nas ocorrências que tivemos, não apresentou falhas de rede. Existem zonas de sombra identificadas, mas dispomos da rede operacional dos bombeiros, que utilizamos sempre que necessário”, esclareceu.
A audição abordou ainda o incêndio que deflagrou em Freixo de Espada à Cinta, um dos mais severos registados no nordeste transmontano. Embora o concelho integre o distrito de Bragança, pertence administrativamente à sub-região de Emergência e Proteção Civil do Douro, pelo que a coordenação inicial do combate não esteve sob responsabilidade direta das Terras de Trás-os-Montes.
Contudo, a progressão das chamas acabou por atingir o concelho vizinho de Mogadouro, obrigando à intervenção dos meios coordenados por Noel Afonso.
Segundo o comandante, tratou-se de um incêndio de extrema complexidade operacional, tendo consumido cerca de 9.000 hectares nas primeiras duas horas após a ignição, circunstância que dificultou significativamente o combate e o controlo da frente de fogo.

Jornalistas: Paulo Silva Reis com Lusa
Fotos: DR

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