A vida, nos tempos que correm, está diferente do antigamente. Não está fácil viver de forma equilibrada, a todos os níveis. O mundo corre depressa, exige muito e descansa pouco.
Sendo certo que não devemos precisar de desculpas por escolher o que nos faz bem. Aquilo que nos alimenta por dentro, que potencia o conforto e o entusiasmo de seguir em frente, de forma harmoniosa e consistente, como quem lavra a mesma leira todos os dias, com fé no pão que há de vir.
A teimosia em procurarmos manter os prazeres de viver com estabilidade não é egoísmo. É sobrevivência. É caminharmos orientados para uma sustentabilidade económica e psicoemocional que seja geradora de paz, de amor e de liberdade, em harmonia com o nosso EU, em cada dia, em cada hora, sem desora. Liberdade de ser, de agir e de pensar, sem pedir licença ao vento.
A sociedade cobra conformidade. Quer-nos todos na mesma forma, como pães feitos à pressa. Tipo pão de forma. Nem sempre gosta de nos ver felizes no conforto à nossa maneira, de acordo com o nosso sentir, o nosso crer e o nosso ser. E isso diz mais sobre ela do que sobre nós.
Por isso, é determinante lutarmos arejadamente e sem apegos que nos limitam, ou seja que não nos deixam evoluir. Lutarmos contra as adversidades e contra os valores distorcidos, tantas vezes inerentes a interesses alheios que não se explicam, só se impõem. Temos o direito de ser diferentes dos outros, sem nunca abdicarmos da nossa personalidade. Ou seja, de nós próprios, da nossa autenticidade e da nossa essência. Como o carrasco que não pede desculpa por ser carrasco no meio do monte, das estevas e das giestas, não impedindo estas de crescer e florescer.
Assiste-nos, também, o direito de mudar de ideia. Quando entendermos que não estivemos no nosso melhor, que o trilho não era aquele, temos o direito de voltar atrás e escolher outro percurso. De forma aberta e coerente, sempre, como quem muda a semente porque a terra pediu outra. E se errarmos, ou incomodamos, pedir humildemente desculpas, se for necessário. A humildade é linda, boa companheira, quando saudavelmente compreendida.
Cuidar da nossa paz como se cuida de uma planta rara, de estufa, regada todos os dias com calma, deve ser o nosso lema. Porque culpa é coisa de quem quer a nossa obediência. É a coleira que nos querem pôr.
Nós merecemos viver do nosso jeito. Porque a vida é inteiramente nossa e as nossas dores ninguém as sente na pele, por muito que digam que doem em quem espera algo diferente de nós. No fim do dia, somos sempre nós. A nossa vida, a nossa luta e a emoção que o coração gera e a alma escuta, atenta, lá no fundo do peito.

Nuno Pires
04/09/2026

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