Há silêncios que não representam tranquilidade. Há silêncios que pesam.
Nos últimos tempos, temos sido confrontados com notícias difíceis, histórias de jovens que, em algum momento, deixaram de encontrar sentido em continuar.
Por trás de cada uma dessas histórias, há muito mais do que um instante. Há dias, semanas ou meses de sofrimento silencioso. Há sinais, pequenos, discretos, por vezes quase invisíveis, mas que estavam lá.

A saúde mental tornou-se uma urgência silenciosa. Talvez o mais inquietante seja isto: muitas vezes, quem sofre não sabe como pedir ajuda e quem está por perto nem sempre sabe reconhecer esse pedido.


Viver nunca foi simples. Em cada fase da vida existem desafios próprios. Mas hoje, os desafios parecem multiplicar-se. A pressão para corresponder, o medo de falhar, a necessidade constante de validação, dificuldades financeiras ou familiares, a comparação permanente nas redes sociais. Tudo isto pode transformar-se num peso difícil de suportar.


Esse peso raramente é dito em voz alta, manifesta-se frequentemente através de sinais subtis, facilmente confundidos com “fases” ou “traços de personalidade”: o afastamento progressivo, a perda de interesse, o cansaço inexplicável, a irritabilidade, as noites mal dormidas. Por vezes surge em frases aparentemente banais: “estou cansado de tudo”, “não faço falta”, “era mais fácil desaparecer”, “já não aguente mais”. Frases que podem passar despercebidas, mas que carregam uma dor profunda.


O suicídio é uma das principais causas de morte a nível global, segundo a Organização Mundial da Saúde. Em Portugal, os dados mais recentes indicam uma tendência preocupante, particularmente nas faixas etárias mais jovens.

Pequenos sinais, grandes significados
Nem sempre os pedidos de ajuda são claros. Muitas vezes, surgem em fragmentos:
-Isolar-se ou afastar-se das pessoas
– Abandonar o que antes gostava
-Mudanças no humor, no sono ou no apetite
-Falar sobre morte ou desaparecer
– Sentimentos de inutilidade ou culpa
– Um rendimento escolar que cai sem explicação
– Um sorriso que desaparece

Nenhum destes sinais, isoladamente, conta uma história completa. Mas juntos podem desenhar um quadro que merece atenção. Ignorar, minimizar ou assumir que “é só uma fase” pode atrasar algo essencial: o cuidado.

O poder de estar presente
Não é preciso ter todas as respostas. Às vezes, o mais importante é simplesmente estar. Ouvir sem interromper, perguntar sem pressionar e essencialmente não julgar. Criar um espaço onde o outro sinta que pode existir, tal como está, com tudo o que sente.
Falar sobre suicídio não incentiva, pelo contrário, protege ao permitir que o sofrimento deixe de estar isolado e encontre compreensão e apoio.
Em Portugal, o Serviço Nacional de Saúde tem vindo a reforçar iniciativas nesta área, mas continua a ser necessário um esforço coletivo para integrar a saúde mental no quotidiano, nas escolas, nas famílias e nos locais de trabalho. A promoção da literacia em saúde mental é uma estratégia essencial. Reconhecer os sinais, compreender os riscos e saber agir pode fazer a diferença.

Pedir ajuda é um ato de coragem
Há ainda o estigma que pedir ajuda é sinal de fraqueza, mas, na verdade, é exatamente o contrário. Reconhecer que algo não está bem e procurar apoio exige coragem, é fundamental que os jovens saibam que não têm de lidar com tudo sozinhos. Há caminhos, há profissionais, há apoio, há sempre alguém que pode ajudar.

Em situações de maior urgência, existem serviços preparados para ajudar. Em Portugal, a Linha Nacional de Prevenção do Suicídio e Apoio Psicológico -1411- é assegurada por psicólogos e enfermeiros especialistas em saúde mental. O mais importante é não adiar, intervir cedo pode evitar o agravamento do sofrimento.


A prevenção do suicídio não se limita aos momentos de crise. Constrói-se diariamente, nas relações de confiança, na atenção aos detalhes, na disponibilidade para ouvir.
Estar atento a mudanças subtis, valorizar o que é dito e o que fica por dizer. Promover ambientes onde falar sobre emoções é seguro pode fazer toda a diferença.
Muitas vezes, por trás de um silêncio prolongado, está um pedido de ajuda que ainda não encontrou palavras.

Nota final
Este é um tema difícil. Falar sobre ele exige coragem, especialmente quando deixa marcas que não se veem.
Mas há silêncios que pesam. Há silêncios que isolam.
Que este texto seja um pequeno passo contra esse silêncio. Um convite a estar mais
perto, a ouvir com mais verdade, a não desvalorizar o que pode parecer pequeno

Artigo escrito por Maria Luis Domingues membro da Associação de Profissionais de Saúde do Alto Tâmega (APSAT)

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