Á luz das estimativas apresentadas em 2024, indicam que cerca de quatro milhões de portugueses têm pelo menos uma doença crónica, o que representa um desafio para as pessoas, para o sistema de saúde e para a sociedade. 

O avanço da medicina, o aumento da esperança média de vida e as mudanças no estilo de vida têm contribuído para que as doenças crónicas se tornem um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI. Compreender o que significa ser um doente crónico é essencial não só para profissionais de saúde, mas também para a sociedade em geral, que cada vez mais convive com esta realidade.

Segundo a definição vigente no site da SNS24 “as doenças crónicas incluem doenças como a diabetes, cancro ou asma. Estas doenças não são resolvidas num curto espaço de tempo e devem ser monitorizadas” (SNS24 | Crónicas)

Por outras palavras, um doente crónico é uma pessoa que vive com uma condição de saúde prolongada, geralmente de evolução lenta, que tende a persistir por meses ou anos. Estas doenças não se resolvem de forma rápida e exigem acompanhamento contínuo, podendo implicar:

• Tratamentos prolongados

• Adaptações no estilo de vida

• Monitorização regular

• Apoio multidisciplinar

As doenças crónicas partilham um conjunto de características que ajudam a compreender o impacto que têm na vida dos doentes, persistem por longos períodos, muitas vezes por toda a vida. Tendem a desenvolver-se gradualmente, podendo passar despercebidas nas fases iniciais e podem limitar a autonomia, interferir com atividades diárias e afetar a qualidade de vida.

A Lei n.º 82/2023, de 29 de Dezembro relativa ao  ORÇAMENTO ESTADO 2024 contempla criar um “grupo de trabalho multidisciplinar e especializado para revisão da lista das doenças crónicas que, por critério médico, implicam a realização de consultas, exames e tratamentos frequentes, potencialmente causadoras de incapacidade precoce e de significativa redução da esperança de vida.”  e ainda “O grupo de trabalho elabora um estatuto do doente crónico, que define a doença crónica, os níveis da doença e os apoios específicos em função de cada patologia, tendo em conta o reflexo na funcionalidade, qualidade e esperança de vida.”

Estamos em Abril de 2026 e Doentes crónicos continuam à espera de um estatuto…

E em 2026, a realidade do doente crónico em Portugal é marcada por uma prevalência elevada — cerca de 42% da população adulta — e por melhorias orçamentais anunciadas para o SNS, mas persiste um acesso desigual, sobrecarga nos cuidados primários e experiências de saúde frequentemente piores do que a média da OCDE.

Porém, ao contrário do que acontece em doenças agudas, o doente crónico assume um papel central na gestão da sua condição. Isto inclui:

• Cumprir o plano terapêutico

• Monitorizar sintomas

• Adotar hábitos saudáveis

• Reconhecer sinais de agravamento

• Participar nas decisões sobre o tratamento

A literacia em saúde torna-se, por isso, um elemento fundamental.

Ser um doente crónico significa viver com uma condição que exige atenção constante, adaptação e resiliência. No entanto, com acompanhamento adequado, educação em saúde e uma rede de apoio sólida, é possível alcançar uma vida plena e com qualidade. A compreensão deste conceito é essencial para promover uma sociedade mais inclusiva, informada e preparada para enfrentar os desafios das doenças crónicas.

Artigo escrito por: Sofia Bernardino, enfermeira na ULSTMAD, membro da  Associação de Profissionais de Saúde do Alto Tâmega (APSAT)

Alheiras Angelina
Dizeres Populares BIG MAC VAI NUM AI Mirandela Braganca 730x90px
Dizeres Populares TASTY ARREGUILAR OS OLHOS Mirandela Braganca 730x90px
Dizeres Populares BATATAS TAO ESTALADICAS Mirandela Braganca 730x90px
IMG_9798
banner canal n
Artigo anteriorTEMPERATURAS SOBEM E SOL DEVE REGRESSAR NOS PRÓXIMOS DIAS
Próximo artigoAÇÃO DE SENSIBILIZAÇÃO SOBRE INTEGRIDADE DECORREU EM VILA REAL