Somos individualmente singulares. Únicos.
Cada um de nós é um universo inteiro, com constelações próprias: o nosso ser, o nosso querer, o nosso crer, o nosso amar, o nosso sentir, o nosso olhar e o nosso viver.
Não nascemos moldados para caber no molde de ninguém. Salvo no nosso próprio. Podemos ser ponte, podemos ser abrigo, podemos ser mão estendida. Mas as nossas interações só florescem onde há respeito, humanismo e o desejo honesto de construir uma sociedade livre e solidária. A generosidade não pode ser ferida. O conforto interior não se vende por aplausos. Há um limite onde a paciência deixa de ser virtude e vira moeda gasta.
E a nossa paciência… essa vale ouro.
Não é egoísmo cuidar de nós.
É sabedoria de quem entende que o copo vazio não mata a sede de ninguém.
Há dias em que sacrificamos um prazer, sim, por amor, por dever, por justiça. Mas que seja escolha, não corrente.
Digamos sim aos nossos desejos.
Àquela identidade intransmissível que mora no fundo do peito e não se empresta.
Digamos não, sem culpa, a tudo o que nos desconforta, que nos encolhe, que nos apaga.
Porque ninguém pode viver a nossa vida por nós. Ninguém morre a nossa morte, sente a nossa dor, sorri o nosso sorriso. Ninguém é feliz por nós.
A nossa estabilidade, a nossa autonomia, a nossa autenticidade… são colheitas do nosso quotidiano.
Viver ao nosso ritmo. Atravessar os nossos medos como quem atravessa pontes. Vencer as nossas adversidades como quem vence marés. Definir as nossas prioridades. Escolher as nossas amizades. Caminhar com os nossos olhares, perseguir os nossos objetivos, e amar com os nossos amares.
Ser singular é isso: ser casa de si mesmo.
Nuno Pires
15/07/2026











