Métodos Contracetivos:
Atualmente deparamo-nos com uma realidade assustadora, levantando duas questões extremamente importantes, às quais pretendo responder e sobretudo apelar a uma breve reflexão:
Por que razão o uso de contracetivos continua a ser tão importante na prevenção das doenças sexualmente transmissíveis? E porque parece estar a diminuir entre os mais jovens?
Nas últimas décadas, os métodos contracetivos transformaram profundamente a saúde pública, permitindo não apenas prevenir gravidezes não planeadas, mas reduzir a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis (DST). Contudo, vários especialistas têm alertado para uma tendência preocupante: muitos jovens estão a abandonar práticas de sexo seguro, especialmente o uso do preservativo, aumentando o risco de infeções.
Esta realidade merece reflexão. Afinal, num tempo em que a informação está à distância de um clique, porque continuam as DST a representar um problema crescente?
1ª mensagem importante: Mais do que evitar uma gravidez
Quando se fala em contraceção, podemos pensar imediatamente na prevenção da gravidez. Porém, nem todos os métodos oferecem proteção contra infeções sexualmente transmissíveis. A pílula, o dispositivo intrauterino (DIU), o implante subcutâneo ou o adesivo contracetivo são altamente eficazes para evitar uma gravidez, mas não impedem o contágio de doenças como a clamídia, a gonorreia, a sífilis, o VIH (vulgarmente designado por SIDA) ou o vírus do papiloma humano (HPV). O preservativo masculino e o preservativo feminino continuam a ser os únicos métodos contracetivos que, quando utilizados corretamente, oferecem simultaneamente proteção contra a gravidez e contra a maioria das DST.
2ª mensagem importante: As doenças sexualmente transmissíveis não desapareceram
Apesar dos avanços da medicina, as DST continuam muito presentes. Algumas podem ser facilmente tratadas quando diagnosticadas atempadamente, mas outras podem provocar complicações graves, incluindo infertilidade, cancro ou infeções crónicas. Um dos maiores problemas é que muitas destas doenças não apresentam sintomas evidentes nas fases iniciais. Uma pessoa pode sentir-se perfeitamente saudável e, ainda assim, transmitir a infeção ao parceiro.
Esta falsa sensação de segurança leva frequentemente à desvalorização das medidas de proteção.
Diversos fatores ajudam a explicar esta tendência, dos jovens estarem a abandonar o uso do preservativo.
Em primeiro lugar, muitos jovens cresceram numa época em que o VIH deixou de ser visto como uma sentença de morte graças aos avanços dos tratamentos. Embora esta seja uma excelente notícia, pode criar a perceção errada de que as DST já não constituem uma ameaça séria.
Em segundo lugar, a disponibilidade de métodos altamente eficazes para prevenir a gravidez levou algumas pessoas a considerar o preservativo dispensável. Quando a preocupação principal é evitar uma gravidez, a existência de alternativas eficazes pode reduzir a motivação para usar proteção de barreira.
Acresce ainda a influência das redes sociais, da desinformação e da menor frequência de programas de educação sexual abrangentes em alguns contextos educativos. Muitos jovens recebem informação fragmentada ou incorreta, o que contribui para comportamentos de risco.
Educação sexual: uma ferramenta de prevenção
A prevenção das DST não depende apenas da existência de métodos contracetivos. Depende também da informação disponível e da capacidade de tomar decisões conscientes. Uma educação sexual de qualidade deve abordar não apenas os aspetos biológicos da sexualidade, mas também o consentimento, os relacionamentos saudáveis, a responsabilidade individual e a importância da proteção mútua. Falar abertamente sobre sexualidade continua a ser uma das formas mais eficazes de combater mitos e preconceitos que colocam a saúde em risco.
A dupla proteção continua a ser a melhor estratégia
Os profissionais de saúde recomendam frequentemente aquilo que é conhecido como “dupla proteção”: utilizar um método eficaz para prevenir a gravidez, como a pílula ou o DIU, em conjunto com o preservativo. Esta abordagem permite beneficiar do elevado grau de eficácia dos métodos contracetivos modernos sem abdicar da proteção contra as doenças sexualmente transmissíveis.
Uma responsabilidade individual e coletiva
O aumento das DST não é apenas um problema individual, tem impacto nos sistemas de saúde, nos custos médicos e na qualidade de vida das pessoas afetadas. Numa sociedade mais informada e tecnologicamente avançada, seria de esperar uma diminuição dos comportamentos de risco. No entanto, a realidade mostra que o conhecimento disponível nem sempre se traduz em escolhas seguras. Recuperar a valorização do preservativo e promover uma cultura de prevenção são desafios urgentes. Afinal, proteger a própria saúde é também proteger a saúde dos outros.
O sexo seguro não é um sinal de desconfiança; é um sinal de responsabilidade, respeito e cuidado mútuo.
Artigo escrito por Sofia Bernardino, enfermeira, membro da Associação de profissionais de Saúde do Alto Tâmega e Barroso (APSAT)















