Num mundo tão confuso e, tantas vezes, cruel que até dói, em que a inexistência ou a pouca fluência de valores humanos se faz sentir, as relações interpessoais saem debilitadas. Sobretudo em termos de coerência e consistência na interpretação do “outro”, da sua validação construtiva e generosidade ativa.
O diagnóstico da sociedade atual evidencia negligências negativas a vários níveis. A hipocrisia, a falta de solidariedade e a inveja, entre muitos outros aspetos negativos, estão na vanguarda de múltiplos problemas sociais, económicos e humanos. Afetam o bem-estar pessoal e profissional, bem como a paz social.
A inveja destrutiva e o seu conteúdo maligno, será um dos males que mais corrói o desenvolvimento transversal de qualquer sociedade em geral e das pessoas em particular. Acaba por ser uma “doença que mata”, não só ao nível da clarividência relacional, mas também no que diz respeito à harmoniosa sintonia entre seres humanos e desenvolvimento integral.
Entre muitos outros problemas de grande impacto na vida individual e coletiva, a inveja arruína afetos, descredibiliza, critica e espalha rumores para destruir o bem-estar e a conquista alheia. Leva a olhar para o sucesso do “outro”, do vizinho, do amigo, do conhecido, até do desconhecido, e murmurar sobre tudo o que conquistou. Sem nunca questionar o quanto teve de trabalhar e quanto para o efeito arduamente lutou.
Às vezes, a inveja leva a fazer uma bateria de perguntas sobre a vida do “outro” que nem um tribunal faria.
Assim, é, com efeito, importante ter em conta que partilhar as nossas bênçãos, os nossos problemas e os nossos sucessos com toda a gente, e até com certos amigos ou conhecidos, pode ser um tiro no pé.
O amigo verdadeiro é aquele que chora connosco quando perdemos ou nos acontece alguma fatalidade. Mas também aquele que celebra, genuinamente, quando ganhamos, mesmo que isso signifique que ele ficou para trás. Mas há muitos que celebram no seu íntimo as nossas derrotas ou infortúnios e roem de inveja com os nossos sucessos, mesmo manifestando verbalmente o contrário.
Nunca devemos esquecer: a inveja acabará por ser, basicamente, uma declaração de inferioridade, da pessoa invejosa e da sua própria interioridade.
Por isso, em vez de desperdiçarmos tempo e energia com ela, devemos usar esses valores construtivos e genuinamente solidários, para nos inspirar, subir mais alto, ir mais além.
As pessoas devem aprender a admirar, a alegremente valorizar, congratulando-se com os sucessos ou a forma positiva de ser e estar dos outros. Em vez de criticar negativamente e invejar desconfortavelmente.
É que, às vezes, infelizmente, a inveja mora ao nosso lado, passando despercebida. Pois não nos passa pela cabeça que possa sobreviver camuflada no meio da “nossa” gente. Isto para não falar daquela inveja oriunda de quem nem conhece a vida, o modus vivendi da personalidade em mente.
Deixemos, pois, a inveja de lado e procuremos viver alegres, generosa e harmoniosamente. Esta forma de ser e estar dá saúde e afasta o mal-estar, tranquilamente.

Nuno Pires
19/06/2026

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