Um treinador da Seleção Nacional nunca deveria ser só um nome no papel. Deveria ser voz. Deveria ser raiz. Deveria falar a língua da casa, conhecer os caminhos do país e sentir o peso da camisola. Por isso fez sentido a saída do treinador do país vizinho.
Nada contra a pessoa. Até foi simpático. Até se esforçou para falar português. Mas não soube fazer render o talento que tinha nas mãos. E desperdiçar ouro dói. Desperdiçar alento dói mais. A culpa, porém, não foi só dele. Foi de quem o trouxe para cá. De quem o segurou. Quem se senta para mandar, tem de saber mandar. E tem de saber sair a horas.
Agora chega outro. E o que me custa não é o currículo, rico em sucessos conquistados em clubes. É ouvir a nossa língua ser dita pela metade.
Podem dizer que isso é detalhe. Para mim não é. Representar Portugal e tropeçar nas palavras de Portugal é como cantar o hino sem saber a letra.
Por mais fechadas que sejam as portas dos bastidores, há valores que não se negociam.
Há imagem de um país inteiro em cada entrevista.
E se a conversa é renovar, é apostar nos jovens, porque não um técnico novo também?
Com fome. Com projeto. Com futuro.
Em vez de mais uma jogada de “boleirice” e eventual compadrio. Não ponho em causa o valor técnico do senhor.
Ponho em causa o encaixe, para o país económico que somos e para os inúmeros problemas sociais que temos.
Já o disse no tempo de Scolari, de Paulo Bento, de Fernando Santos.
Gente boa, sim. Mas boa gente não chega para construir casa.
O futebol português precisa pensar o hoje
e semear o amanhã. Com estratégia. Com coragem. Sem interesses que apodrecem nos corredores. Precisa arejar a cabeça de quem vive à volta da bola.
Lembro-me dele em tempos idos,
quando veio a Bragança como timoneiro dos Belenenses, para um jogo da Taça de Portugal,
e terá perguntado onde ficava a cidade.
Sendo o presidente daquele clube, na altura,
natural do Nordeste Transmontano.
Gosto de Lisboa. É a capital do Nosso Portugal. Mas Portugal não cabe só na área metropolitana. E uma seleção que quer um país inteiro tem de conhecer um país inteiro,
até para realizar eventos desportivos. Descentralizar.
Muitos sucessos para a Seleção Lusa.
Do coração. Sempre.
E que os egos exagerados, não destruam sonhos projetados.

Nuno Pires
08/07/2026

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