As festas e as romarias são formas únicas de expressão anímica e de encontro das nossas gentes, sobretudo no meio rural.
Porque as senti, vivi com intensidade e muitas vezes organizei, falo com a autoridade de quem conhece o bastidor. Tanto no meio rural como no urbano.
Vou debruçar-me sobre os cartazes anunciadores. Nem me atrevo a falar dos critérios de colocação ou da disposição caótica nos espaços públicos. Os partidos políticos também não dão exemplo.
Entendo, porém, que os cartazes não deviam proliferar de forma desordenada e pouco cuidada. Sem sentido estético. Sem cuidado pelo ambiente.
Um cartaz de festa devia ser um dos elementos mais nobres do acontecimento. Na sua estruturação deviam salvaguardar-se princípios: apresentação cuidada, mensagem clara, objetivos definidos.
Falando dos cartazes das nossas festas e romarias, é fácil concluir que a maioria não cumpre os mínimos exigíveis. A vários níveis. E por isso não traduzem a força que a festa merece.
Basta olhar com atenção. Sem pôr em causa sequer o uso da língua materna, tantas vezes desajustado, depressa se vê que algo ali não se compadece com os objetivos. Sobretudo ao nível do sagrado.
Não me parece justo que, numa festividade a um Santo Padroeiro ou de um Santuário, a imagem que dá nome à celebração seja relegada para lugar discreto. Sem a dignidade que se impõe.
Há casos em que a imagem religiosa passa despercebida. Em contraponto, fotos exageradas de conjuntos, grupos musicais ou artistas ocupam o centro. Posturas que nada têm a ver com o espírito da devoção que se celebra.
Ora, se a festa é promovida em louvor de um padroeiro, evocado por devotos ao longo de todo o ano, por que razão a imagem surge tão pequena no cartaz? Se os fiéis embelezam a igreja ou capela para o dia da festa, o cartaz devia fazer o mesmo.
E se o pároco é responsável pelos atos religiosos, salvo se optar por uma postura pilatiana e negligente, a sua opinião devia contar. Também na execução do cartaz. Para que seja estruturado com a dignidade que se impõe.
A fé não pode ser nota de rodapé. Se a festa é do Santo, que o cartaz o anuncie primeiro. O resto vem depois.
Nuno Pires
14/06/2026












