Se a vida fosse ponte, seria de madeira clara,
ou de pedra dura, sem rangidos, sem sustos.
Seria passo seguro, respiro aberto, caminho aberto, que motiva e não pesa, sem nos levar para o “deserto”.
Era assim que deveria ser: fácil, transparente,
fluente como rio em leito sereno e cristalino, que o fundo vê a gente.
E que sorte quando descobrimos
que ainda há pessoas por perto que acendem lamparina na nossa noite, como antigamente,
quando se iluminava a rua escura, na falta de energia eléctrica, pura e dura.
Gente coerente que torce, em silêncio, pelo nosso melhor. Que aplaude o nosso passo, rega o nosso crescimento e celebra o nosso engrandecimento, como quem celebra a própria colheita.
Porque a verdade é simples: quando o vizinho tem pão, quando o amigo tem casa, quando a família tem paz, a rua inteira amanhece melhor.
Uma sociedade é muro, quando cada tijolo sustenta o outro e cada pedra assenta devidamente no seu alicerce.
Uma comunidade é árvore frondosa e segura,
quando as raízes se entrelaçam e nenhuma tempestade a derruba.
Não é o grito que salva. É o abraço quente.
É a presença que não cobra, mas fica. É a mão que não aponta, mas estende, da parte da pessoa que atende e entende. É isso que nos faz sentir chão e nos ensina a viver mais inteiro, por inteiro.
Por isso, enquanto houver fôlego, cultivemos a disponibilidade. Essa generosidade que corre,
que não estagna, que não pergunta se vai voltar.É ela que chama o sucesso, que chama a estabilidade, que chama a alegria e a faz ficar,
para vivenciarmos mais felicidade.
Num mundo que gasta e desgasta,
que lima as arestas da gente, cada um de nós tem um papel. Uma responsabilidade, um compromisso pequeno, mas que, somado,
vira ponte, vira casa, vira festa.
Façamos a nossa parte. Tijolo a tijolo. Gesto a gesto. Para que a sociedade volte a ter rosto humano, o pensamento volte a ter coragem
e cada palavra seja proferida sem medo.
Nuno Pires
07/07/2026










