Mentir, faltar à verdade ou a metade desta, o que me parece ainda mais detestável que a mentira pura e simples, faz parte da natureza do homem desde os primórdios da humanidade.
Qualquer pessoa minimamente formada entende que mentir não deve acontecer. Mexe com a vida e sentimentos das pessoas, de um povo, de uma sociedade, de um país. Sobretudo quando a “palavra” devia ser um “ponto de honra” inabalável.
Mesmo sabendo que dizer a verdade acarreta dissabores, conflitos, ódios e invejas, entendo que a vida e a relação entre as pessoas deve assentar na autenticidade, na urbanidade e no respeito. Pelos outros e por nós próprios.
Vem isto a propósito do que se passa na vida nacional. Principalmente na atividade política, económica e social. E na relação daqueles, menos sérios, que exercem desempenhos profissionais nesse contexto.
Para não falar do futebol. Nesse domínio, estamos conversados.
Nas notícias, nos debates da comunicação social, o exercício da discussão política, económica e social começa a ser isto: questionamo-nos se o que vemos e ouvimos é verdade, mentira, ou meias-verdades. Meias-mentiras.
Daí vem a falta de coerência e autenticidade. Fomenta o engano. Ou, melhor dizendo, a falta de “palavra”. De “palavra de honra”.
Se assistirmos a debates entre candidatos, dirigentes, gestores políticos, de forma isenta, corremos o risco de ficar baralhados e confusos. Eles próprios confrontam-se de forma pouco “polida”. Para não dizer pouco educada.
Dizem que o “outro” falta à verdade. Mente. Recorrem a adjetivos que ferem a ética e a mínima decência. E tudo isto é transmitido pelos meios de comunicação social e redes sociais.
Se quem tem obrigação de demonstrar correção, civismo, cortesia e educação em público, que exemplo vem “de cima” para os cidadãos? Para os mais jovens e para as crianças que hão-de sustentar o nosso futuro?
Deviam ser exigidas posturas de civismo, autenticidade, coerência, responsabilidade e justiça. Entre aqueles que “mandam e comandam” nos diversos setores da sociedade.
Assim, talvez fosse interessante recorrer com assiduidade e transparência ao “mentirómetro”. Em situações em que há indicadores de falta de verdade e ética responsável. Certamente tudo ficaria mais claro. Os cidadãos viveriam menos enganados. A ilusão não se tornaria uma triste desilusão.
Os cenários em que a falta de verdade, as especulações e fofocas proliferam são inúmeros. Mas se há contextos em que até se pode ser generoso e tolerante, na gestão da sociedade e da causa pública não pode ser um deles.
Entendo que deveríamos ser menos complacentes. Sobretudo em relação àqueles que acabam por não merecer a necessária confiança.
Nuno Pires
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14/06/ 2026













