Hoje, dia 22 de julho assinala-se o Dia Mundial do Cérebro, uma iniciativa promovida pela World Federation of Neurology (WFN) que pretende sensibilizar a população para a importância da saúde cerebral e para a prevenção das doenças neurológicas, responsáveis por uma parte significativa da incapacidade e mortalidade em todo o mundo.
Em 2026, a campanha internacional decorre sob o lema “Brain Health: Access for All” (Saúde Cerebral: Acesso para Todos), destacando a necessidade de garantir que todas as pessoas tenham acesso a cuidados de saúde neurológicos de qualidade, independentemente da sua idade, condição económica ou local onde vivem. Segundo a WFN, mais de 3,4 mil milhões de pessoas vivem atualmente com uma doença neurológica, tornando estas patologias a principal causa de incapacidade a nível mundial. O cérebro é o centro de comando do nosso organismo. Controla o pensamento, a memória, a linguagem, as emoções, os movimentos, a aprendizagem e inúmeras funções vitais. Apesar da sua extraordinária capacidade, é também um órgão vulnerável aos efeitos do envelhecimento, dos estilos de vida pouco saudáveis e de doenças como o acidente vascular cerebral (AVC), a doença de Alzheimer, a doença de Parkinson, a epilepsia ou a esclerose múltipla.
A boa notícia é que uma parte importante destas doenças pode ser prevenida. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou recentemente que até 45% do risco de desenvolver demência poderá ser prevenido ou adiado através da redução de fatores de risco modificáveis, como a hipertensão arterial, a diabetes, o tabagismo, o consumo excessivo de álcool, o sedentarismo, a obesidade, o isolamento social e a poluição atmosférica. Esta evidência demonstra que cuidar do cérebro começa muito antes do aparecimento dos primeiros sintomas. Cada escolha diária influência diretamente a saúde cerebral ao longo da vida.
Entre as medidas mais importantes destacam-se:
– Praticar atividade física regularmente;
– Adotar uma alimentação equilibrada, inspirada na dieta mediterrânica;
– Controlar a pressão arterial, o colesterol e a diabetes;
– Não fumar e limitar o consumo de bebidas alcoólicas;
– Dormir entre sete e nove horas por noite;
– Manter o cérebro ativo através da leitura, aprendizagem contínua, jogos de raciocínio ou novas experiências;
– Preservar relações sociais e combater o isolamento;
– Procurar ajuda médica perante alterações persistentes da memória, da linguagem, do equilíbrio ou do comportamento.
A saúde cerebral está igualmente ligada à saúde cardiovascular. O conhecido princípio de que “o que faz bem ao coração faz bem ao cérebro” mantém-se plenamente atual. A prevenção do AVC, principal causa de incapacidade adquirida no adulto em Portugal, passa pelo controlo rigoroso dos fatores de risco cardiovasculares e pelo reconhecimento precoce dos sinais de alerta. Quanto mais rapidamente uma pessoa com suspeita de AVC recebe assistência médica, maiores são as probabilidades de sobrevivência e de recuperação com menos sequelas.
Importa também desmistificar a ideia de que a perda de memória faz parte do envelhecimento normal. Embora algumas alterações cognitivas possam ocorrer com a idade, dificuldades persistentes na memória, na orientação, na linguagem ou na capacidade de realizar tarefas habituais devem motivar avaliação clínica precoce. O diagnóstico atempado permite iniciar tratamentos, planear cuidados e melhorar significativamente a qualidade de vida das pessoas e das suas famílias.
Enquanto profissionais de saúde, temos igualmente um papel fundamental na promoção da literacia em saúde, incentivando hábitos de vida saudáveis desde a infância até à idade avançada. A prevenção continua a ser a estratégia mais eficaz para reduzir o impacto das doenças neurológicas na sociedade.
Neste Dia Mundial do Cérebro, importa recordar que proteger o cérebro é proteger a nossa identidade, autonomia e capacidade de viver plenamente. A saúde cerebral não depende apenas dos profissionais ou dos serviços de saúde; depende das escolhas que fazemos todos os dias.
Porque um cérebro saudável permite viver mais, viver melhor e envelhecer com maior independência. Investir na saúde cerebral é investir no futuro de cada um de nós.
Artigo escrito por Carla Barroso Reis, enfermeira, membro da Associação de Profissionais de Saúde do Alto Tâmega e Barroso (APSAT)












